A pátria e a música de chuteiras: jogadores de futebol que se aventuraram na música

Neymar Jr, atacante da seleção brasileira.
Mais um dossiê da Agência 1a1 em plena Copa do Mundo sobre música e futebol, dessa vez, com os jogadores que se aventuraram no mundo da música ao longo dos tempos, confira! (Foto: Emmanuel Dunand/AFP)

O senso comum diz que o Futebol não é apenas um esporte, mas, sim, uma arte. Inspirados pela ideia ou não, foram muitos os boleiros que se aventuraram na Música. De Pelé e seu mítico “ABC”, que gravou para uma campanha do governo, à Neymar, personagem super-requisitado para contracenar em videoclipes, o fato é que em nenhum caso o talento perto de um violão, de um microfone ou de um estúdio foi maior do que o das pernas.
Especialmente a partir da década de 1970, motivados pela euforia gerada pelo tricampeonato conquistado pela seleção brasileira na Copa do México, músicos se apoiaram de vez no futebol e os jogadores por sua vez viram na porta aberta pela fama dentro dos gramados uma brecha para satisfazer a veia artística.

Acompanhando os registros sonoros deixados pelos futebolistas é possível obter um extrato dos movimentos culturais de cada época. Se hoje eles se apoiam principalmente no Funk carioca, no Sertanejo e no Pagode, no passado, Pelé dividiu o microfone e também composições com grandes nomes como Elis Regina, Jair Rodrigues, Roberto Carlos, Wilson Simonal e Gilberto Gil.

Pelé e Jairzinho na copa de 1970.
Pelé e Jairzinho na copa de 1970.

Pelé bateu na trave no quesito habilidade vocal, mas o panteão artístico do qual se cercou e suas reais habilidades com a composição (escreveu até para o conjunto infantil “Trem da Alegria”) podem lhe conceder a chancela de jogador com a carreira artística mais relevante para a Música. Um “titulo” desconhecido pela maioria e que o rei nunca reivindicou, já que encarou a música de maneira amadora e sempre paralela ao Futebol.

Pelé registrou obras interessantes como o disco compacto “Tabelinha”, gravado em 1969, que conta com Elis Regina e traz as faixas “Perdão Não Tem” e “Vexamão”, de sua autoria. Em 1978, foi lançado o LP “Pelé” com a trilha sonora do filme sobre sua despedida dos campos. Com produção e arranjos de Sérgio Mendes, Pelé cantou em duas faixas em dueto com a cantora Gracinha Leporace: “Meu Mundo é uma Bola” e “Cidade Grande” e foi autor de outras duas canções do disco: “Nascimento” e “Voltando a Bauru”.

No ano seguinte, Pelé lançou outro compacto simples com as faixas “Criança” e “Moleque Danado”, de sua autoria. O dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira considera a balada “Meu Mundo é Uma Bola”, composta por Pelé e gravada por ele mesmo, o grande sucesso do rei do futebol.

Pelé e Elis Regina – Vexamão

Elis Regina e Pelé.
Pelé sempre se cercou de grandes nomes da música.

Passada a era-Pelé na Música, foi a vez de Júnior, ex-lateral do Flamengo surgir com “Povo Feliz”, música que embalou a irretocável seleção de 1982 durante todo o campeonato disputado na Itália e que, graças aos donos da casa, adiou o sonho do tetra que para nós só veio na década seguinte. O sucesso da faixa título imortalizou o refrão “voa, canarinho, voa” e trouxe ainda a faixa “Pagode da Seleção” que rendeu vendas de 800 mil cópias do compacto. A música é das mais populares do cancioneiro futebolístico e por isso já apareceu em outros de nossos posts anteriores.

Em 1995, ano do centenário do Flamengo, Junior gravou o CD comemorativo do clube, com participações de Moraes Moreira. O ex-jogador, que hoje é comentarista de TV, nunca deixou a Música de lado e mantém uma roda de samba no Rio de Janeiro onde é anfitrião e ajuda causas sociais com as apresentações.

Junior – Povo Feliz

Entre os que não se contentaram em mostrar o talento só pelos pés estão Marcelinho Carioca (ex-Corinthians) e Amaral (ex-Palmeiras) que fizeram parte da banda de Pagode Gospel “Divina Inspiração” que se apresentou em vários programas de TV.

Ronaldinho Gaúcho, que deu as caras agora, em 2018, no clipe da música oficial da Copa da Rússia, é o protagonista da canção do cantor baiano Edcity. Gaúcho, além de ter ajudado a compor a música (que é em sua homenagem!), também cantou e participou do clipe. Conclusões ficam a cargo dos ouvidos do freguês!

Edcity e Ronaldinho Gaúcho – Vai na fé

Ronaldinho Gaúcho participou da composição de música em sua homenagem.
Ronaldinho Gaúcho participou da composição de música em sua homenagem.

Algumas experiências isoladas e além tambores e pandeiros existem. Nos anos 1990, Ronaldo Giovanelli, ex-goleiro do Corinthians, apostou suas fichas na banda de rock “Ronaldo e Os Impedidos” que inclusive conseguiu emplacar um grande sucesso nas rádios, a canção “O nome dela”. Ronaldo, hoje comentarista de futebol em canais de televisão, continua se apresentando com sua turma no circuito roqueiro paulista.

Ronaldo e os Impedidos
O ex-goleiro do Corinthians levou a carreira musical mais a sério que a maioria dos boleiros.

Ronaldo e os Impedidos – O nome dela

Ainda no Rock, Alexi Lalas, o excêntrico ex-zagueiro da seleção norte-americana de 1994, se lançou com a banda “The Gypsies”. A carreira do ruivo barbudo rendeu melhores frutos fora dos gramados, onde os Estados Unidos nunca foram muito longe mesmo. Lalas lançou os discos ‘Ginger’ (1998), ‘Far from Close’ (2008) e ‘Infinity Spaces’ (2014).

Alexi Lalas – Crash

Outro gringo, o holandês Clarence Seedorf (ex-Botagofo e ex-Milan) também deixou sua voz registrada em um CD beneficente em 2007 cantando “Sittin’ on the Dock of the Bay” e “Redemption” Song, esta de Bob Marley, de quem é fã declarado.

A biografia de Ronaldo Nazário, o ‘Fenômeno’, foi inspiração para “Sou Ronaldo” (2006), um samba de Marcelo D2 que entrou como faixa-bônus do CD do músico, “Meu Samba É Assim” e também no disco oficial da FIFA, distribuído pela Sony & BMG para a copa daquele ano, na Alemanha.

Marcelo D2 – Sou Ronaldo

Neymar Jr, claro, não ficaria de fora. Ainda não se aventurou a colocar o gogó para funcionar mas é figura recorrente como fonte de inspiração para músicos. O caso mais famoso é da dupla Henrique e Diego que emplacou o chiclete “Eh Tudo Toiss”, bordão de Neymar e seus ‘parças’ (boa sorte no clique!)

Henrique e Diego – Eh Tudo Toiss

Curtiu? Você ou sua banda tem alguma composição que homenageia o mudo da bola e gostaria de divulgar isso? Mande um e-mail para contato@agencia1a1.com.br e vamos conversar sobre ferramentas de comunicação para sua carreira musical decolar!


Isis Correia é gerente de comunicação da 1a1, se gaba por saber cantar quase todos os hinos dos times brasileiros de futebol e busca uma utilidade para isso.

*Texto modificado e atualizado para o Blog da 1a1. Original publicado pela Santo Angelo (2014).

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