Music Show Exp e as lições da nova feira de música do Brasil

O intuito desse texto não é trazer minúcias técnicas, números, balanços financeiros de mercado, nada disso. Esses sequer são campos de domínio da Agência 1a1, que, pela primeira vez este ano participou da Music Show Exp, a mais nova feira de música do Brasil. É é do espírito deste evento que rolou na última semana em São Paulo que queremos falar um pouco.

Cartaz anuncia Music Show Exp 2019 (Divulgação)

Quando a Expomusic decretou estar doente em 2018, consumando sua falência no início deste ano, reações diametralmente opostas tomaram conta da gente. Uma certa dose de “ufa, a coisa já estava enfadonha mesmo”, com um “e agora, José?”. Afinal, a maior feira da América Latina da indústria musical existiu por 34 anos. Quase três décadas e meia não é coisa pouca num país com incentivos fiscais e morais infames para o setor cultural.

Nós da Agência1a1 fizemos parte da Expomusic sob diversas versões ao longo dos anos: como visitantes quando meninos, como músicos e por fim trabalhadores da indústria musical ainda nas empresas que trabalhamos antes do nascimento da agência.

Um dos cenários da Expomusic, em 2016. Evento existiu por 34 anos. (Divulgação)

Bem, no ano passado novos proponentes da indústria musical – cite-se a Anafima como principal – surgiram com a ideia de um evento que não deixassem órfãos os trabalhadores da cadeia musical. Eis que a Music Show Experience se mostrou acertada já no batismo: trata-se de uma experiência multinível dentro de setores variados da música, algo que a Expomusic deixou a dever com a passagem do tempo e a consequente não-modernização de ofertas que acatassem as novas relações e interesses de quem faz o mercado  na atualidade. 

Público circula nos corredores da Music Exp 2019 (Divulgação)

Ao se fixar quase que exclusivamente nas relações de compra e venda de instrumentos e componentes entre fabricantes e revendedores, muito foi se perdendo ao longo dos anos ao passo que o music business assistia no subterrâneo o surgimento – ou melhor – fortalecimento de novos agentes no mercado não necessariamente ligados a esse eixo comercial, ainda assim muito importantes para a cadeia econômica.

É claro que muitos de nós íamos à Expomusic para nos divertir, mas, o finalidade da feira era comercial entre lojas, fabricantes e revendas, finalidade essa que talvez a afundou em um pântano de baixa adesão das marcas super conhecidas do público que se mostraram indispostas a participar do evento alegando falta de retorno substancial frente ao alto investimento em estrutura, estandes e afins. 

Pessoalmente, lembro-me de que já na Expomusic 2017, conversei com o dono de uma grande marca de equipamentos e acessórios e escutar sua queixa de que era proibido de vender os produtos que fabricava para o consumidor final era uma pedra no sapato já que metade dos passeantes nos corredores, são, senão, oras bolas, músicos que precisam do que ele vende!

Uma das inúmeras salas com palestras na Music Show Exp 2019

Sobre a Music Show, já podemos dizer que foi a feira que mais gastamos dinheiro como consumidores finais, ao menos em acessórios (não pesquisamos instrumentos). A feira  mostrou que chega para suprir as novas exigência do mercado e aqui destacamos uma palavrinha: aprendizado. Na era do conhecimento, o que mais encontramos pelos corredores  foram palestras e rodas de conversa sobre os mais variados assuntos. 

Agência 1a1 na Music Show Exp 2019

Nunca se falou tanto em music business como nos últimos anos e a Music Show captou isso com excelência. É a troca de conhecimento, o conhecimento compartilhado que está fazendo esse nosso mundo musical ir adiante mais do que as relações estritamente comerciais. A sede das pessoas hoje parece mesmo ser pelo saber. Cabe um adendo: lógico que venda e mostra de instrumentos e equipamentos ainda existe e nunca vai acabar e um espaço bacana e dedicado aos “homens de gravata” estava garantido  na Music Show, óbvio.

Na área de atuação da Agência1a1 mesmo, pudemos aprimorar conhecimento sobre marketing musical, redes sociais para a música, fortalecimento de imagem artística e tudo o mais que nos é caro, serviços que batalhamos para popularizar. 

Primeira visita da 1a1 na Music Show.

Bem, façamos justiça: as duas últimas Expomusic que estivemos pudemos participar de sessões de “talks”. Talvez elas chegaram tarde demais e, enfim, a marca se desgastou. De novo, palpites que necessitam de uma apuração mais fundamentada do que essas nossas impressões aqui escritas.

Isso significa que com a nova feira tudo está ganho? Não! Por exemplo, ainda percebemos que o êxodo de muitas marcas famosas de instrumentos que ocorreu nos últimos anos  da Expomusic se manteve. Talvez queiram aguardar a solidez do novo evento para voltar a investir. Acreditamos que isso acontecerá, se esse é o caso. 

Músicos se apresentam durante a Music Show 2019. Eles ainda são o motivo de toda e qualquer feira existir!

No que concerne à comunicação para a música, o marketing musical, não poderíamos estar mais contentes em perceber que a era da informação, da troca de conhecimento, da experiência dividida, finalmente chegou ao mundo da música e mais do que nunca os músicos e os agentes da canção estão cientes da importância de se fazerem presentes e se relacionarem com seu público conforme manda o figurino da nossa era: em redes sociais, em mídias alternativas, com criatividade e constância. A Agência1a1 nasceu há quase 5 anos justamente por ter antecipado essa demanda que agora explode.

Com potencial e horizonte gigantesco de crescimento, com as novas demandas do mercado, novas cabeças, novos negócios, a Music Show tem espaço de sobra para crescer e fazer o seu legado. “Nosso coração bate mais forte pelo mercado da música” – o lema do evento, é, como não, o de todos nós.

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