Cuide-se

Em tempos de quase colapso na cadeia musical por conta do Coronavírus com cancelamento de quase 100% dos shows em boa parte do mundo, vale pensar nas curas que os profissionais do music business podem aplicar a partir dessa experiência para não termos de remediar tanto próximas possíveis crises.

Oi, turma! Esse post vem assinado por mim, Isis Correia, jornalista e cofundadora da Agência 1a1. Quero contar que nesta quarta (18) participamos de uma reunião coordenada pela Fremúsica (Frente Parlamentar Suprapartidária em Defesa da Indústria da Música) convocada para tratar de medidas emergenciais para recompor os danos financeiros causados a um número imenso de profissionais do showbizz afetados pelo cancelamento em massa de eventos. Após a conversa (on line!) de quase duas horas e de muitas ideias vindas de músicos, produtores, comunicadores e que tais, a palavra que me veio é essa que ilustra o texto: cuide-se.

Logotipo da Fremúsica (Frente Parlamentar Suprapartidária em Defesa da Indústria da Música).

Cuide-se sem dúvida é a maior recomendação que qualquer um tem recebido nos últimos dias (lave as as mãos, não tussa no rosto do outro – até semana retrasada alguém fazia diferente disso?!). E é justamente a ideia do cuide-se que quero trazer, mas para nós da cadeia musical esse é exercício para muito além do álcool gel.

Cuide-se aqui é um chamado definitivo para tomarmos o momento atual como ponto de partida – e sem volta – para de uma vez por todas cuidarmos dos interesses da categoria de forma profissional e não amadora. A grande emergência do setor parece mesmo não ser exatamente um vírus e sim comportamentos e conceitos que definitivamente não cabem mais e que o corona apenas expôs como fragilidade nossa enquanto classe. Um certo tipo de imprudência quando estamos lidando com nada mais nada menos do que o capitalismo (bem-vindos!).

Em tempos de crise é necessário continuar investindo e cuidando da sua carreira.

Por mais que as relações de trabalho tenham mudado bastante nas últimas décadas (e o tal do teletrabalho que agora explodiu mostra bem isso), é preciso se precaver, se não mais atrás de uma empresa, de uma economia paternalista, atrás da  proatividade individual ou de grupo.

Explico: a maioria das ideias surgidas na reunião tal como resgates financeiros via governo, auxílio doença, seguro desemprego para categorias relacionadas ao showbusiness e linhas de financiamento exigem a mínima regularização do músico para que possam ser operacionalizadas como, para começar, ter um cadastro como MEI (Microempreendedor Individual). A maioria não faz ideia do que é isso! O MEI foi criado no Brasil para que os trabalhadores informais estejam dentro da legalidade, com garantias de direitos e, principalmente, promover esta formalização com uma carga tributária reduzida. Bandas grandes em maioria, a saber, são cadastradas como empresas para quem ainda possa ter a ideia infantil de que não se mistura “arte e negócios”.

Sabemos que não são todas as pessoas que têm condições ideais para sair nesse minuto da informalidade (41% das pessoas no Brasil são trabalhadores informais!), mas é importante começar a pensar a partir de já na questão como investimento de proteção à carreira e jamais como um gasto, um fardo difícil de ser levado. Para bandas por exemplo, é possível ter um MEI para duas pessoas beneficiadas no mesmo registro. 

Nosso “cuide-se” vem como apelo nesse momento para que o músico, roadies, carregadores, técnicos de som, iluminadores, artistas da noite que vivem de cachês, se regularize como MEI, pois essa é uma forma inicial de garantias mínimas de direitos para os trabalhadores em qualquer situações fora da curva como a que estamos vivendo hoje. 

Nesse exato minuto ser um músico MEI ajuda a contornar a situação? Ainda não, mas, ao passo que medidas de ajuste são anunciadas pelo governo a cada momento, é certo dizer que são os trabalhadores formais aqueles em melhor condição de pleitear algo, certo? – por exemplo, caso o Covid-19 entre no rol de doenças que permitem acessar o auxílio doença fora do período de carência de 12 meses.

Vale informar que em duas semanas o trabalhador informal que não tem nenhum tipo de auxílio como Bolsa Família poderá comparecer à Caixa Econômica Federal para se cadastrar e receber benefício temporário de R$ 200 pelos próximos 4 meses. 

Bem, hora de mão na massa, de mostrar nossa relevância social e também uma oportunidade para nos unirmos mais como classe e discutirmos o daqui por diante. Cuide-se e converse com a gente também em contato@agencia1a1.com.br e comigo em isis@agencia1a1.com.br. 😉

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