Dia das crianças: ao invés de instrumento de brinquedo, instrumento de verdade

Para marcar o Dia das Crianças decidimos colocar um pouco das nossas reflexões sobre introdução musical na vida da molecada!

A música estimula a criatividade e imaginação das crianças

Quando eu visitei a Expomusic lá em 2013, lembro que pesquisei alguns dados de mercado com o balanço da feira, pois, precisava escrever um artigo sobre o evento naquela ocasião, e, que bacana, descobri que quase 2.900 pessoas que circularam no evento eram crianças contra 696 que estiveram ali um ano antes.

Segundo os organizadores, aquele era um recorde de pequenos desde a primeira edição da Expomusic, em 1983, época inclusive em que a feira de música era dividida com a dos fabricantes de brinquedos que há tempos já não faziam mais parte do evento.

Meu ofício no mundo da música mudou desde lá e eu não tive mais a função de destrinchar dados sobre a Expomusic que faleceu no ano passado, mas, dá para a gente sacar por esse índice antigo a importância de integrar a criançada na música e, como elas curtem isso!

Os bebês têm os sons como algo onipresente na vida e pelos barulhos desenvolvem seu repertório de comunicação

Então, para marcar o Dia das Crianças, já deixo uma primeira reflexão para os adultos: antes de investir em brinquedos caros que imitam um instrumento, por que não presentear com um de verdade? Guitarras, teclados e baterias plásticas, cheios de botões e sons simulados custam, muitas vezes, o mesmo ou mais. Então, qual o motivo de adiar colocar um instrumento na mão do seu filho, sobrinho, neto ou irmão?

A cada edição mais recente da Expomusic, a gente via surgir inúmeros instrumentos e acessórios dedicados a elas em tamanhos especiais, cores e personagens de desenhos e também podia se maravilhar em cada canto com pequenos e pequenas bateristas, violonistas e tudo o mais, brincando, descontraindo e descobrindo o mundo sonoro, ou já claramente com os dois pés dentro dos instrumentos apontando ali um possível profissional do futuro.

É o caso desse especime que atende pelo nome de Li-sa-X, a japonezinha que com 11 anos já fazia isso aqui com a música de Kiko Loureiro, só inventada por ele quando adulto!

Kiko Loureiro “Gray Stone Gateway” cover / Li-sa-X (Japanese 11 year old girl)

Tem também esse queridão aqui: Justin Wilson II, 5 anos, toca Lenny Kravitz na bateria no programa Ellen Degeneres

Baby Boy Drummer é surpreendido por Lenny Kravitz

Na vida de gente que foi pequena na mesma época que eu (trintodos!), só uma coisa competia com a música, e era o esporte. Hoje temos ainda os videogames! Bem, noves fora de cada geração, enquanto a competição é o sentimento que mais flerta com os praticantes de esportes e games, quem toca um instrumento musical se enlaça logo cedo com a criatividade e a imaginação por isso expande sua realidade, o que lhe dá o direto, entre inúmeros fatores, a incrementos na saúde mental e física.

Os pequenos iniciados na música também tendem a estar mais despertos a ideais de coletividade e parceria já que é nas bandas ou corais que a troca completa da experiência musical acontece, ou seja, a soma de guitarra, baixo, bateria e até a das dezenas de instrumentos de uma orquestra aponta para o caminho da parceiragem que a música oferece.

E se a resposta do filho para a meio perturbadora pergunta “o que você vai ser quando crescer” for músico, nada de desespero, ok? É engraçado, a gente não se dá conta mesmo da importância do músico na sociedade. Durante nossa existência teremos topado com muito mais músicos na vida do que com médicos, advogados, dentistas, fotógrafos, garçons, jornalistas, professores. Afinal, a música está em todo canto, inclusive ambientando os games que tanto atraem a meninada!

O interessante trio heavy metal de meninas muçulmanas da Indonésia ‘Voice of Baceprot’

Já nascemos com uma autonomia espetacular para os sons. Os bebês os têm como algo onipresente na vida e pelos barulhos desenvolvem seu repertório de comunicação, daí a importância de incluir a música o quanto antes para enriquecer ainda mais aquela vidinha. Os mais crescidos podem ter a fala estimulada pelo canto.

Já dos 2 aos 6 anos, fase em que elas já sabem distinguir sons, pode-se apresentar algum instrumento como tambores, flautas e gaitas e ainda estimular o reconhecimento dos componentes de uma orquestra. Com o início da fase escolar, aí, elas deslancham nos instrumentos de verdade com muita imaginação sendo bacana também apresentar a leitura e escrita musical, melodias, grandes compositores e reconhecimento dos variados tipos de música como folclórica, erudita e popular.

Tem ainda algo muito, mas muito legal mesmo que a música faz por pais e filhos que praticam juntos a canção, mas, melhor que descrever, é ficarmos com as cenas fortes a seguir (se segure para não apertar uma bochechinha qualquer que estiver dando sopa!)

Menininha canta Adele com o pai

 


Menininho experimenta o contrabaixo com o pai

Nunca desestimule uma criança a tocar instrumentos musicais, pois, o direito de criar e brincar nunca nos deve ser retirado. Nem pela passagem do tempo, ok, crianças grandes que aqui estão? 😉

* Texto editado do original publicado em Santo Angelo http://blog.santoangelo.com.br/meu-filho-vai-ser-assim/


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *