Sepultura Endurance: impressões de quem acompanha a banda de perto

Sepultura no Graspop Metal Meeting 2017.

Como todos os headbangers que não estão de férias em Vênus sabem, está nos cinemas o documentário Sepultura Endurance, um apanhado das três primeiras décadas de vida do Sepultura. A estreia aconteceu no último dia 14, mas a equipe da banda e alguns convidados puderam assistir antes. Saímos todos querendo um minuto para falar da doideira que o filme é e da nossa situação de ter ao lado da gente uma das bandas mais importante de heavy metal mundial. Aqui mandam bala Bruno, Isis e Adriana, da Agência 1a1, e a especialíssima convidada para a ocasião, Mirna Della Rosa, jornalista e Sepulturana (ou Sepulrense?) de carteirinha! Rise up!

Sepultura Endurance – Trailer


Depoimentos sobre o documentário Sepultura Endurance

Por Bruno Teixeira, gerente de produtos digitais e de novos negócios

Meu primeiro contato com a banda foi na segunda série, quando deixei de comprar o lanche pra comprar um adesivo deles sem saber o que era. A primeira vez que ouvi os om foi mais tarde, numa fita emprestada de um amigo com Inner Self e Escape To The Void. Depois disso pirei e fui atrás de ouvir tudo que podia deles e a coisa – como dá para ver hoje – tomou as proporções que tomou!

Em 13 de junho tive oportunidade de estar na pré-estreia do Sepultura Endurance. Já havia assistido o filme antes, não em uma telona de cinema, com o som bem alto. A emoção de ver o filme no cinema pode ser comparada a ver um show ao vivo ou ver um quadro famoso bem pertinho em uma exposição de artes. Sepultura Endurance é uma história incrível de resistência e persistência, de fazer o que você gosta com o coração. Mesmo que todo mundo diga que você está no caminho errado, se você acredita no que faz, faça de verdade! A cena da banda discutindo a saída de Jean Dolabella da banda é para mim um dos pontos mais emocionantes do filme, mostra que nem tudo é glamour na vida na estrada.

Mais uma vez o Sepultura quebra barreiras sendo a primeira banda de metal do país a estrear um filme em grande circuito pelo Brasil. Emocionante e inspirador.

Derrick Green e Andreas Kisser durante a gravação do disco Kairos
Derrick Green e Andreas Kisser durante a gravação do disco Kairos, em cena do documentário Sepultura Endurance.

Por Isis Mastromano Correia – jornalista e gerente de comunicação da 1a1

Já havia decidido não ver a prévia do filme mesmo sendo uma possibilidade para os funcionários da banda bem antes da pré-estreia. Dessa vez – rara vez – queria voltar ao momento de ser só a fã de 14 anos de idade que tinha o quarto embrulhado de pôsteres dos ídolos.

Sepultura Endurance é acima de tudo uma lição de persistência e perseverança na música. Obrigatório para todos que têm banda. Um case de sucesso. Otavio Juliano, diretor do filme, amarra a história sem deixar brecha para os ecos que reclamam a falta de depoimentos dos irmãos Cavalera. Sim, é apenas a falta de depoimentos, não das figuras e de sua importância. Pelo contrário: Max e Iggor surgem na honrosa posição que lhes cabe, com os merecidos créditos e de forma muito respeitosa.

Se seus depoimentos exclusivos para a ocasião deixariam o material mais rico? Essa eu respondo como jornalista: claro! Em documentário buscamos todos os lados. Jornalismo básico. E esse esforço profissional foi feito e deve ser louvado antes das críticas. Mas quando dois não querem, seis não brigam, certo?
Momentos ouro: Andreas emocionado ao revisitar o endereço onde Max o convidou para entrar na banda e 30 anos depois, embasbacado, como que incrédulo, ao se ver diante da plateia de velhos e jovens no front que estavam diante dele em show em São Paulo para comemorar a improvável meta dos 30 anos de existência de sua banda.

Os depoimentos de Jairo Guedz também são impagáveis e preciosos! Ter assistido o filme ao lado do Andreas foi outra coisa impagável. Quem diria! A Isis de 14 anos jamais! Você faz ideia de como é difícil manter por três décadas uma banda de heavy metal? Duvido!


Por Adriana Baldin, gerente de relações com a mídia da 1a1

Sou suspeita para opinar, pois assisti três vezes o filme, duas delas antes mesmo do lançamento oficial. O documentário é uma lição de perseverança, acho que por isso a escolha do título “Endurance”. Durante uma hora e quarenta minutos o expectador se emociona com toda a trajetória contada pelo integrantes do Sepultura, parceiros de outras bandas e fãs.

Endurance retrata o cotidiano na estrada dessa que é uma das maiores bandas de metal do Brasil e surpreende o expectador que aguardar uma vida de sexo, drogas e rock’n’roll, o que hoje soa até cafona.

Com mais de 30 anos de carreira umas das situações que o Sepultura deixa bem explícita no filme é o quão difícil é estar na estrada, muitas vezes fora do país por até 60 dias longe dos entes queridos. Pois é, o amor pela música faz dessas coisas e é algo inexplicável.

Um dos momentos que mais me emocionou foi Andreas Kisser, o guitarrista, descrevendo a dificuldade de não poder participar dos eventos familiares com a frequência que gostaria, ele que é casado há mais de 20 anos e tem três filhos. Ele explica que todo esse sacrifício é por amor à sua própria família, pois a banda é seu ganha pão e, lógico, por amor a música.

O enredo não obedece cronologia e isso deve-se ao super cuidado que Otavio Juliano, diretor do filme, teve durante os sete anos que acompanhou a banda em turnês por diversos países. Pra fãs ou não da banda, o filme vale a pena simplesmente porque a história do Sepultura vale a pena!

Andreas Kisser e o diretor Otavio Juliano
Andreas Kisser e o diretor paulista Otavio Juliano nos bastidores da gravação do documentário Sepultura Endurance.

Por Mirna Della Rosa – jornalista, fã desde 1991 após escutar a fita cassete de Arise e autora do livro Tourbooks

Em uma sala de cinema lotada, o Sepultura entrou para o circuito da grande tela na última semana. Se fosse ficção, seria uma bela narrativa com muitas nuances de um grupo de moleques que resolve fazer “barulho”; sem estrutura de espaço ou aparelhagem, mas com sangue nos olhos e ajudas essenciais. Para – alguns anos depois – ter fãs nas dezenas de países por onde passa e não passa.

Mas não é ficção. É história real cheia de conquistas e contratempos de uma banda talentosa e perseverante, que seguiu em frente com o coração e em nome da música. E vemos isso em Sepultura Endurance. As dificuldades em viver na estrada e longe da família, a descoberta das raízes e incorporação de elementos brasileiros na obra, gravações, turnês, separações, superações… Lamentavelmente, os irmãos fundadores Max (84-96) e Iggor Cavalera (84-06) se recusaram a participar, mas recebem a devida importância e respeito com depoimentos e imagens de arquivo.

Além dos integrantes (Andreas Kisser, Paulo Jr, Derrick Green e Eloy Casagrande), participam João Eduardo Faria – da Cogumelo Records; o ex-guitarrista Jairo Guedz e outras figuras importantes. Há depoimentos de músicos do Metallica, Motörhead, Anthrax, Megadeth, Slipknot, Ratos de Porão… Alguns números: 1h40 de filme e outras 800 de material coletados em 7 anos pela equipe de produção, 20 anos de Derrick Green, 14 discos de estúdio, shows em mais de 70 países. E por toda essa grandiosidade que Otavio Juliano, o diretor, promete extras.

Em Endurance, há muito conteúdo que faz este filme valer a pena por mostrar uma bela história de um grande orgulho brasileiro, independentemente de gosto musical. Para se ter uma ideia, três dias após a pré-estreia em São Paulo, o Sepultura já estava na Bélgica para cumprir mais uma turnê que entrará para sua biografia. Faço coro a Scott Ian, do icônico Anthrax, que no documentário registra: “we want more, we want more!”. Eu também quero.

2 thoughts on “Sepultura Endurance: impressões de quem acompanha a banda de perto

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *